20 de out de 2015

Coven



Há 4 anos atrás uma das primeiras postagens deste blog era sobre a banda Coven. Acabava de me deparar com o álbum Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls (1969), que me pegou em cheio. Era muita novidade para mim que também acabava de entrar completa e finalmente na era da cultura digital, já que  haviam alguns meses que eu tinha internet em casa. Aquele álbum me pareceu algo completamente inédito na história do rock, pelo menos a história que eu conhecia. Hoje posso confirmar a minha impressão. 


O que me faz escrever novamente sobre o Coven é a necessidade de traduzir melhor as minhas impressões sobre sua obra. A primeira coisa que tenho vontade de falar é sobre a capacidade vocal de Jinx Dawson, que vai muito além das comparações com Grace Slick ou Janis Joplin (sem desmerecer as mesmas, óbvio). 

Acontece que depois de muito ouvir o primeiro album do Coven é impossível não reparar que ela canta de fato como uma vocalista de Heavy Metal. Se o peso das músicas nos arranjos ainda fica devendo ao que fará o Black Sabbath pouco tempo depois, o vocal de Jinx contrapõe esse fato antecipando o que será feito por Dio, por exemplo, além de seu famoso sign of the hornsNão sou musicista, mas amplidão vocal e efeitos guturais da voz qualquer leigo pode perceber. Jinx Dawson canta com as entranhas. 


A segunda coisa (que decorre da primeira) é sobre o efeito que provoca a audição de Witchcraft Destroys Minds... em seu conjunto. Após acompanhar letra por letra, canção por canção, chega-se a um total de uma coletânea de histórias de terror musicadas, ao estilo Edgard Alan Poe. O efeito tenebroso é acentuado pela raiva explosiva da voz de Dawson.


Cada faixa tem a estrutura de um conto e fica bem perceptível a influência literária. A canção White Witch of Rosehall, por exemplo, foi baseada em uma lenda popular já dramatizada pela literatutura e cinema. Seria isso o suficiente para caracterizar o álbum como conceitual, conforme uma tendência da época? Fica a questão.


Além de Witchcraft Destroys Minds and Reaps Souls, lançaram mais dois discos em sua época de auge (ainda que underground): Coven (1971) e Blood on the Snow (1974), ambos de sonoridade mais Hard Rock ou mais puxado para o Country e, se é que cabe mais uma comparação com Dio, lembram um pouco os álbuns do Elf.


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