20 de dez de 2015

Timothy Leary: o político do êxtase - Parte 1

Timothy Leary Middle Finger

      Timothy Leary, psicólogo norte-americano, é considerado o papa do LSD e um dos mentores da contracultura da década de 1960. Escreveu um livro em 1957, The Interpersonal Diagnosis of Personality, que lhe valeu o cargo de professor em Harvard.

O livro trata da busca por métodos não-hierárquicos na relação psicólogo-paciente, ênfase na experiência mútua e a procura por meios eficazes de alterar a realidade do paciente, retirando-o das estruturas mentais neuróticas. Foi considerada uma abordagem inovadora e encontra paralelo com a anti-psiquiatria de R. D. Laing.

Em Harvard, Leary formou um núcleo de pesquisas com a psilocibina, após uma experiência arrebatadora com os cogumelos mágicos no México, fungo de onde é extraída a substância. Essa experiência lhe forneceu a chave que procurava para uma eficaz transformação da realidade.

A partir de então, direciona suas pesquisas para a experimentação com os psicodélicos e também a divulgação dos benefícios dos mesmos, tendo como aliado nessa missão o poeta beat Allen Ginsberg. A dupla apresentou informalmente a psilocibina, a mescalina e posteriormente o LSD para muitos intelectuais e artistas dos EUA e Europa. 

O núcleo de pesquisa de Timothy Leary contava ainda com Richard Alpert, também professor de Harvard, que futuramente se tornaria RamDas, filósofo e guru.

A partir do momento em que Leary toma conhecimento do LSD, através do acadêmico inglês Michael Hollingshead, tal substância foi adotada como principal matéria de pesquisa. 

       Ao mesmo tempo, se iniciavam as perseguições contra seu grupo de estudos em Harvard, fruto da divulgação promovida nos meios da alta cultura e de alguns resultados satisfatórios em experimentos, que começaram a inquietar os defensores das terapias tradicionais.

Timothy Leary Millbrook Politics of Ecstasy

Em sua autobiografia, Flashbacks: surfando no caos, ele conta ainda que um dos motivos para a perseguição também era o interesse da CIA em descobrir técnicas de controle mental através de substâncias que poderiam facilitar esse controle e serem usadas como arma de guerra, com a finalidade de facilitar interrogatórios, técnicas de manipulação, ou promover a inutilização temporária (em muitos casos, permanente) de tropas, pessoas, povoados.

O LSD era uma das substâncias pesquisada com esse fim em um projeto secreto (hoje não mais) chamado MKULTRA. O pano de fundo desse interesse militar em controle mental era a Guerra Fria.

Outro divulgador de psicotrópicos foi Aldous Huxley, através de seus livros As Portas da Percepção e Céu e Inferno. Porém, seu tom literário não visava o ganho de adeptos e nem possuía o fervor de um manifesto, como os textos e os discursos de Timothy Leary.

Uma das críticas recorrentes feitas a Leary é a de que a maneira messiânica com que conduzia o assunto era prejudicial à pesquisa e contribuía ainda mais com a desinformação promovida pela mídia sensacionalista.

Desde as primeiras décadas do século XX, já havia grande número de intelectuais e cientistas interessados na pesquisa de substâncias psicotrópicas. Boa parte acreditava que a divulgação em massa atrapalharia uma vivência mais consciente do impacto da experiência psicodélica dentro de uma sociedade que não estava acostumada a lidar com formas não-lineares de pensamento.

Mas, o grande sonho de Leary era justamente construir ferramentas para a alteração da realidade que fossem acessíveis a todos, de uma maneira pragmática, democrática e considerada por ele como não-elitista. Suas idéias de não-hierarquia e a busca por ampliações do modo de pensar e agir, levou-o a formular a Política do Êxtase, exposta em um de seus livros: The Politics of Ecstasy, de 1968. 


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